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Longevidade dos planos de saúde

Boa parte da sociedade ainda não compreende o risco que o segmento sofre. Como ficará a saúde caso as operadoras entrem em colapso?

25/09/2015

 

A cada ano que passa a expectativa de vida no Brasil, felizmente, vem aumentando. Segundo dados do IBGE, passou de 70,7 anos em 2001 para 74,9, em 2013.

Não há como negar que é resultado, principalmente, da melhor qualidade de vida da população e dos avanços da medicina. Entretanto, o crescimento da longevidade traz impactos no país, principalmente na Previdência e na Saúde, que exigem atenção dos setores público e privado para garantir equilíbrio e sustentabilidade.

No caso da saúde, recente levantamento do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) reforça ainda mais a preocupação com um futuro que não está muito longe. O estudo aponta que nos próximos 15 anos os gastos das empresas privadas de saúde vão quase triplicar, passando de cerca de R$ 106 bilhões por ano para R$ 283 bilhões. É a certeza de que os custos do setor vão aumentar com o envelhecimento da população.

Essa previsão é para daqui a uma década, mas a preocupação com a sustentabilidade da saúde suplementar já exige soluções para hoje. Os planos de saúde investem em gestão e aperfeiçoamento de processos. Tudo o que é possível para reduzir custos. Programas de promoção à saúde também estão cada vez mais presentes nos serviços oferecidos aos beneficiários. Sabe-se que a prevenção é a melhor forma de garantir a saúde da população. Campanhas contra o tabagismo, obesidade, e acompanhamento de pessoas com risco de diabete e doenças cardíacas são apenas alguns dos exemplos de iniciativas que as operadoras vêm desenvolvendo. Porém, o investimento em gestão e em prevenção não vem sendo suficiente.

Os planos de autogestão são prova disso. Apesar de a UNIDAS – União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde incentivar e acompanhar as iniciativas das instituições filiadas, dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) mostram que, entre 2008 e 2013, as despesas assistenciais das autogestões aumentaram 72,78%, enquanto o aumento do mercado de saúde, no mesmo período, foi de 89,18% E é justamente o crescimento da longevidade um dos fatores que vem impactando nos custos desses planos, pois, além de as autogestões oferecerem uma cobertura mais ampla do que a dos outros planos de mercado, ainda possuem o maior percentual da população acima de 60 anos da saúde suplementar. São 23,8% contra 12% do setor, de acordo com dados da última Pesquisa UNIDAS.

É natural que o uso pelos serviços de saúde aumente conforme envelhecemos. Entre os planos de autogestão um beneficiário aposentado, por exemplo, faz em média 33 exames por ano enquanto que o número em relação a quem ainda está trabalhando cai para 17. O impacto é significativo. A internação de um beneficiário aposentado custa em média R$ 14 mil, o dobro do custo de quem está na ativa.

Não se faz aqui uma defesa para que parem de usar o plano de saúde. Quem paga tem o direito de usufruir dos serviços. Porém, boa parte da sociedade ainda não compreende o risco que o segmento sofre. Hoje é o setor privado o responsável pela maior parte dos investimentos em saúde. São mais de 70 milhões de beneficiários entre planos de saúde e odontológicos. Como ficará a saúde caso as operadoras entrem em colapso?

O desafio de buscar soluções que garantam a sustentabilidade da saúde suplementar une esforços dos governos federal, estadual e municipal, prestadores de serviço e operadoras de saúde, incluindo as autogestões, que não têm fins lucrativos. Somente com o trabalho conjunto entre todos os atores envolvidos é que alcançaremos a longevidade dos planos de saúde.

 

Luís Carlos Saraiva Neves é Presidente da União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde – UNIDAS


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